Supressão da Vida: do Aborto à Violência Política
Nos círculos conservadores, tem-se utilizado a expressão “cultura da morte” para descrever tendências ideológicas que relativizam o valor da vida humana em nome de causas políticas. No esquerdismo contemporâneo, essa tendência é percebida em duas frentes principais: na legitimação de práticas como aborto e eutanásia – apresentadas como direitos – e na tolerância ou apologia à violência contra adversários políticos. Em ambos os casos, críticos argumentam que a mentalidade de esquerda radical estaria disposta a suprimir vidas (seja a vida inocente e vulnerável, seja a vida de opositores) em prol de um projeto ideológico.
Do ponto de vista da esquerda, o aborto é frequentemente defendido sob a retórica dos direitos reprodutivos e da autonomia da mulher. Lideranças e militantes progressistas celebram a descriminalização e legalização do aborto como conquistas sociais, enfatizando slogans como “meu corpo, minhas regras”. Em vários países latino-americanos, vimos recentemente grandes campanhas pela legalização irrestrita do aborto. Em 2020, a Argentina – sob um governo de centro-esquerda – legalizou a prática até a 14ª semana de gestação; em 2023, o Chile avançou projeto semelhante no Congresso[1]. No Uruguai, a Câmara dos Deputados (com maioria de esquerda) aprovou em 2025 a legalização da eutanásia para pacientes terminais, apresentando a medida como um avanço em “democracia e liberdade plenas”[2][3]. Sob a ótica esquerdista, tais medidas representam atos de compaixão e respeito à dignidade pessoal. Ativistas feministas chegam a pintar o aborto como um bem social, ecoando o lema “aborto legal, seguro e gratuito” durante manifestações multitudinárias[1]. No entanto, opositores denunciam que esse ethos mascara uma normalização da morte: a vida do nascituro ou do doente incurável é subordinada a conveniências ou desejos individuais. Para esses críticos, a defesa entusiasmada do aborto irrestrito – incluindo casos de abortos tardios – exemplifica a insensibilidade moral de segmentos da esquerda radical. O psiquiatra Lyle H. Rossiter observa que a agenda igualitária moderna frequentemente “legaliza todos os abortos, desafia a tradição religiosa e social”, tratando a interrupção da gravidez como direito absoluto e ignorando qualquer dever em relação à vida intrauterina[4]. Ele argumenta que as demandas por um “direito de abortar não qualificado” – isto é, sem restrição alguma – são irracionais e derivam de uma distorção moral profunda[5][6]. Em outras palavras, a mentalidade esquerdista radical racionaliza a eliminação da vida inocente como se fosse um imperativo progressista, exibindo uma preocupante inversão de valores tradicionais sobre a sacralidade da vida humana.
Paralelamente, assiste-se a uma crescente tolerância – ou até celebração – da violência política em certos setores da esquerda. A lógica que prevalece é a do “fim que justifica os meios”: se o opositor representa um mal social (seja rotulado de “fascista”, “golpista” ou “inimigo do povo”), sua eliminação física ou simbólica passa a ser trivializada. Infelizmente, abundam casos recentes que ilustram esse fenômeno. Em 2021, no Brasil, militantes de esquerda comemoraram publicamente a morte do senador Major Olimpio, um político conservador, vítima de COVID-19. Vídeos divulgados nas redes mostram dois ativistas rindo da notícia e afirmando “foi tarde, desgraçado”, enquanto postagens no Twitter declaravam que “algumas mortes são comemoráveis”[7][8]. A naturalidade com que se regozijaram pela morte de um adversário ideológico chocou muitos – conforme apontou o comentarista Danilo Gentili, se partidários da direita rissem da morte de uma figura da esquerda, isso seria manchete escandalosa na mídia[9]. No entanto, quando o ódio parte da extrema-esquerda, frequentemente passa sem condenação proporcional.
Também na América Latina, o recurso à violência contra opositores vem ganhando contornos alarmantes. Em junho de 2025, o senador colombiano Miguel Uribe, de 39 anos, foi alvo de um atentado a tiros durante um comício – ataque perpetrado por um jovem de 15 anos, possivelmente instigado por discurso radical[10][11]. Uribe, político de direita e pré-candidato à presidência, lutou por sua vida durante dois meses, mas acabou falecendo em agosto de 2025[12][13]. Sua morte levou observadores a apontar o “traço central do socialismo radical: eliminar inimigos políticos sem limites ou remorso”[14][15]. Não por acaso, dias antes do atentado, o presidente esquerdista Gustavo Petro havia atacado pessoalmente Uribe e sua família, criando um clima de animosidade[16]. Para muitos conservadores, casos assim evidenciam que, levado ao extremo, o ódio ideológico de esquerda chega literalmente às vias de fato. Um colunista descreveu de forma contundente: “a morte do inimigo político é o dogma central da mentalidade revolucionária” – ou seja, se necessário, o opositor deve ser fisicamente exterminado para que o projeto de poder revolucionário prevaleça[15]. Essa mentalidade de extermínio tem raízes históricas nos regimes comunistas; basta lembrar as palavras de Josef Stálin em 1937, prometendo “destruir implacavelmente quem quer que […] ameace a unidade do estado socialista, […] os inimigos, eles mesmos e seus parentes”[17]. A esquerda atual vem ultrapassando os limites democráticos, aponto de certos expoentes não escondem fantasias de violência contra direitistas. O advogado Felipe Santa Cruz, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, figura de esquerda no Brasil, declarou em 2023 que em seu “mundo ideal” o ex-presidente Jair Bolsonaro receberia “pena de morte. Bala na nuca!”[18]. E em ambientes acadêmicos militantes, já houve até citação jocosa de versos conclamando a fuzilar conservadores (o professor Mauro Iasi, da UFRJ, infamemente recitou a oferta de um “bom paredão” a adversários políticos)[19]. Esses exemplos escancaram uma realidade perturbadora: segmentos da militância de esquerda não apenas justificam a violência contra opositores, como chegam a celebrá-la abertamente quando conseguem dar cabo da vida de alguém.
A combinação dessas tendências – a defesa da morte institucionalizada (aborto/eutanásia) e o flerte com o justiçamento de inimigos – configura aquilo que críticos rotulam de cultura da morte no esquerdismo. Trata-se de uma inversão moral em que tirar vidas deixa de ser tabu e pode até ser motivo de júbilo, desde que sirva a causa “progressista”.
Vítimas e Extremistas: A Linguagem da Mídia e a Inversão de Papéis
Um componente crucial que alimenta essa mentalidade é o discurso midiático contemporâneo, frequentemente acusado de duplo padrão na forma de retratar violência política. Observa-se uma tendência em setores da grande mídia de vitimização da esquerda e demonização da direita, mesmo quando os fatos apontam o contrário. Essa construção narrativa influencia a opinião pública ao definir quem merece compaixão e quem deve ser marcado como “extremista perigoso”.
Considere-se, por exemplo, a discrepância na cobertura de episódios de violência. Quando um ativista de esquerda é ferido ou morto, imediatamente aparece um enquadramento que enfatiza sua condição de vítima de forças “reacionárias”; já quando a vítima é um conservador, não raramente os noticiários destacam suas posições políticas “controversas”, insinuando que talvez ele mesmo tenha provocado o ódio que o vitimou. Foi o que se viu no caso do jovem líder conservador Charlie Kirk, nos Estados Unidos. Kirk, de 31 anos, fundador da organização estudantil direitista Turning Point USA, foi brutalmente assassinado a tiros por um atirador sniper enquanto discursava numa universidade em Utah, em setembro de 2025[20], O suspeito foi identificado como Tyler Robinson, um estudante de elétrica de 22 anos [bbc]. A tragédia gerou reações indignadas entre políticos de direita mundo afora – com muitos atribuindo a culpa a uma campanha de ódio incitada pela retórica da esquerda[21]. Contudo, parte da imprensa se mostrou relutante em reconhecer Kirk simplesmente como vítima de um atentado. Alguns veículos preferiram rotulá-lo de imediato como “ativista ultraconservador”, sublinhando suas ideias “polêmicas” antes mesmo de se conhecer as motivações do crime[22][23]. Essa ênfase sutil desloca a atenção do fato de que ele foi alvo de violência política, colocando holofote sobre o perfil ideológico da vítima – quase justificando tacitamente o ocorrido por ele pertencer à “extrema-direita”. Paralelamente, no instante em que circulava o vídeo do assassinato, a grande mídia americana se apressou em evitar apontar culpados ou conferir “espetáculo” à morte de Kirk – postura muito distinta da cobertura exaustiva e condenatória que esses mesmos órgãos dedicaram a episódios como a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021[24]. Como observou uma análise, protestos violentos conduzidos pela esquerda em 2020 foram frequentemente amenizados pela imprensa como “majoritariamente pacíficos”, ao passo que qualquer tumulto associado à direita recebe imediatamente o rótulo de ameaça extremista à democracia[25]. O resultado desse viés é um claro desequilíbrio na percepção pública: atos de violência radical de esquerda são minimizados como “desabafos compreensíveis”, enquanto qualquer reação vinda da direita é enquadrada como sintoma de extremismo intolerável[26][25].

Essa dinâmica de inversão de papéis afeta inclusive casos locais na América Latina. Quando o senador colombiano Miguel Uribe foi baleado, autoridades e mídia independentes destacaram tratar-se de mais um caso de “violência política na América Latina”, lamentando genericamente o fato[27]. Contudo, vozes conservadoras notaram a falta de ênfase no viés ideológico do crime – afinal, Uribe era um crítico feroz do governo de esquerda, e sua morte servia aos interesses dos radicais. A deputada brasileira Bia Kicis chegou a comentar que Uribe fora “mais uma vítima da política de extermínio de adversários utilizada pela esquerda”[28]. Essa declaração, embora forte, reflete a frustração de setores direitistas com a negligência da mídia em apontar quando a violência vem da esquerda. De fato, há uma percepção difusa de que a imprensa militante cria rótulos convenientes: se um militante de esquerda comete um ato violento, ele é visto como um “ativista exaltado” ou “vítima das circunstâncias sociais”; se um conservador sequer levanta a voz, é logo tratado como “extremista” ou “radical de direita”.
Essa retórica desproporcional contribui para a perigosa desumanização do adversário. Ao retratar sistematicamente conservadores como agressores em potencial – mesmo quando estão sendo agredidos –, normaliza-se a ideia de que “eles merecem” o que quer que lhes aconteça. Líderes da direita europeia, reagindo ao assassinato de Kirk, denunciaram exatamente isso: o veneno de uma linguagem midiática que desumaniza a direita e insufla a intolerância, criando um clima propício à violência política[29]. Na avaliação do primeiro-ministro Viktor Orbán, “a morte de Kirk é resultado da campanha de ódio internacional promovida pela esquerda progressista-liberal”[21]. E o ex-presidente Donald Trump, em discurso após o atentado, responsabilizou diretamente “a mídia e a esquerda radical pela linguagem odiosa com que se referem àqueles com quem discordam”. Segundo Trump, quando você demoniza o oponente dia após dia de forma odiosa, a consequência trágica acaba sendo a violência e até o assassinato[23][30]. Essa crítica, ainda que vinda de um ator político interessado, toca num ponto real: palavras importam. Ao longo dos anos recentes, termos como “fascista”, “racista” e “extremista” foram banalizados e colados indiscriminadamente em conservadores convencionais, numa estratégia que visa isolá-los moralmente. Essa é a psicologia da deslegitimação: primeiro se etiqueta o adversário como monstro, depois qualquer ato contra ele parece justificado. É exatamente essa atmosfera que compõe a “cultura da morte” – um ambiente em que tirar a vida ou reputação de alguém já não choca, desde que esse alguém tenha sido previamente desumanizado pelo discurso dominante[26][25].
Patologias da Mentalidade Esquerdista Radical segundo Rossiter
Os fenômenos acima descritos – defesa do infanticídio uterino, apologia velada da violência e distorção linguística – não surgem do nada. Para Lyle H. Rossiter, autor de A Mente Esquerdista (2006), eles são expressão de uma mentalidade patológica subjacente ao esquerdismo radical. Rossiter, que é psiquiatra forense, enxerga o radicalismo político de esquerda como fruto de falhas no desenvolvimento moral e emocional do indivíduo, falhas estas frequentemente originadas na infância e adolescência. Em sua análise (notadamente nos capítulos 43 a 48 de seu livro), o esquerdismo extremo é encarado como uma perturbação psicológica, uma espécie de imaturidade congelada que deforma a percepção da realidade e corrompe os valores tradicionais de convívio.
Rossiter argumenta que a agenda ideológica da esquerda moderna viola princípios básicos do relacionamento humano saudável, por partir de concepções profundamente equivocadas sobre a natureza humana e social. O esquerdista radical, em sua visão, enxerga o mundo por lentes distorcidas, que o fazem supervalorizar certos princípios e ignorar outros. Por exemplo, enquanto uma pessoa madura valoriza tanto a liberdade individual quanto a cooperação voluntária, o ideólogo de esquerda “não idealiza a liberdade individual, não defende direitos básicos de propriedade ou contrato, não prega ética de autoconfiança nem celebra a coragem ou a resiliência”. Em vez disso, a mente esquerdista radical se compraz em um mundo de vítimas e vilões: ela “é atraída por um mundo cheio de dó, sofrimento, necessidade, pobreza, exploração, discriminação, vitimização e injustiça” – povoado por grupos aos quais atribui apenas o papel de oprimidos (“trabalhadores, minorias, mulheres, desempregados”) e jamais responsabilidade por suas próprias falhas. Nessa narrativa simplista, todos os males derivam exclusivamente de condições sociais injustas impostas por terceiros. Assim, forma-se a mentalidade dicotômica do oprimido versus opressor: ao oprimido, tudo é permitido em nome da “justiça”; ao opressor, nenhum direito resta – ele deve ser rechaçado, reeducado ou eliminado. Isso explica, em parte, por que um militante radical consegue racionalizar a violência: aos seus olhos, não se trata de crueldade, mas de justa revolta contra um sistema malvado. Rossiter resume esse ponto de forma incisiva: a “propaganda esquerdista” atual está longe dos ideais de amor universal que proclama, pois na prática ela “incita a luta de classes, promove a inveja e a culpa, encoraja a ira e o ultraje, e investe grandes esforços para fazer com que os vilões escolhidos sintam-se culpados e envergonhados”. Em outras palavras, por trás do discurso de empatia e justiça social, a mentalidade revolucionária cultiva o ressentimento e a agressividade. Sua “retórica perversa […] é tudo menos amorosa, compassiva ou pacífica”, e a coerção empregada para impor suas políticas “contradiz a própria definição de altruísmo”. Essa inversão de valores seria sintoma de um desenvolvimento moral malsucedido – um ponto em que Rossiter ecoa críticas já formuladas por filósofos e teólogos conservadores.
Segundo Rossiter, compreender as raízes dessa mentalidade exige olhar para a formação do indivíduo esquerdista. Nos capítulos 44 a 46, ele explora possíveis deficiências na infância e juventude que predisporiam certa pessoa a abraçar um radicalismo imaturo. Crianças cujas necessidades emocionais não foram equilibradas por disciplina e responsabilidade tendem a carregar para a vida adulta sentimentos intensos de vítima e demandas irreais de proteção. Em vez de amadurecerem desenvolvendo autoconfiança, autonomia e tolerância a frustrações, acabam por cristalizar traços de dependência, revolta contra figuras de autoridade e ausência de freios morais sólidos. Rossiter sugere que muitos esquerdistas radicais apresentam padrões cognitivos e afetivos típicos de fases infantis não superadas – como a negação da realidade dura (que leva, por exemplo, a crer que crime e guerra não existem, ou que todo conflito é apenas um mal-entendido) e o desejo de um Estado paternal que supra todas as carências. Nesse sentido, a ideologia utópica igualitária funcionaria como uma extensão das fantasias infantis de onipotência e proteção ilimitada. Não surpreende, pois, que o militante radical frequentemente rejeite a responsabilidade pessoal (esperando que “a sociedade” resolva tudo) e não tolere frustrações – reagindo com fúria contra aqueles que atrapalham sua visão idealizada de mundo.
O diagnóstico de Rossiter para a mente esquerdista radical é duro: ele a qualifica como uma mente aflita por loucura, “produto de personalidades perturbadas”. Na avaliação do psiquiatra, o grau de irracionalidade e distorção presente no esquerdismo moderno só pode ser explicado como uma psicopatologia coletiva – não se trata de simples discordâncias racionais sobre política, mas de distúrbios emocionais profundos que se manifestam no âmbito político. Ele aponta, por exemplo, que as paixões igualitárias radicais contradizem tudo que há de racional nas relações humanas, gerando políticas e comportamentos autodestrutivos. Ao implementar suas fantasias (“curar todas as feridas do mundo”), a esquerda radical invariavelmente fracassa e, pior, causa declínio moral e agitação social – pois “enfraquece capacidades de autoconfiança, realismo moral e altruísmo autêntico, degradando o caráter das pessoas”. Esse degradar do caráter inclui, sem dúvida, a perda do respeito pela vida do próximo: se o outro é visto apenas como vilão opressor ou obstáculo à utopia, sua vida se torna descartável. Temos então a gênese psicológica da cultura da morte: a patologia política que torna possível a indivíduos supostamente compassivos festejarem a morte de alguém ou exigirem “bala na nuca” de desafetos. É a manifestação extrema de uma moralidade deformada, incapaz de reconhecer limites – uma moralidade que, nas palavras de Rossiter, “representa falhas sérias nos processos de desenvolvimento”, falhas essas que impedem a plena aquisição de valores como empatia verdadeira, reciprocidade e respeito por regras básicas da civilização.
Universidades, Discurso Marxista e a Incubadora do Ódio Político
Um fator social determinante na difusão dessa mentalidade esquerdista radical é o papel das instituições de ensino, especialmente as universidades. Nas últimas décadas, o ambiente acadêmico ocidental – influenciado por correntes marxistas, pós-modernas e neoleninistas – tem se tornado um verdadeiro laboratório de ideias revolucionárias, muitas vezes hostil à visão de mundo conservadora ou liberal clássica. Para Rossiter, a hipocrisia da alegada “tolerância” acadêmica é evidente: “apesar das alegações de tolerância a ideias variadas, os intelectuais de esquerda têm se mostrado fortemente intolerantes”, chegando ao ponto de banir estudantes ou vozes dissidentes que contrariem os ideais socialistas predominantes nas faculdades. Historiadores engajados reescrevem materiais didáticos exaltando princípios esquerdistas e menosprezando visões conflitantes, enquanto departamentos inteiros promovem teorias sociais baseadas na luta de classes, teoria crítica racial ou de gênero, e no relativismo pós-moderno que nega valores universais. Esse monocultivo ideológico forma gerações de jovens com uma cosmovisão maniqueísta: eles aprendem a dividir o mundo entre opressores e oprimidos, a desconfiar das instituições tradicionais (família, religião, livre mercado) e a ver na militância radical uma expressão de virtude.
O resultado se reflete em pesquisas atuais: na América do Norte, por exemplo, levantamentos mostram que a maioria dos estudantes universitários se sente confortável em silenciar palestrantes com ideias “ofensivas”, por vezes endossando até meios violentos para barrar vozes discordantes. Eventos notórios têm confirmado essa tendência – de Berkeley a Yale, palestras de intelectuais conservadores sendo interrompidas aos gritos ou canceladas sob ameaça de tumulto. Administradores covardemente cedem, normalizando a noção de que certas ideias não merecem sequer ser ouvidas. Trata-se, em essência, de uma reprodução do princípio leninista de que “não se deve dar platéia ao inimigo de classe”. Sob o jargão pós-moderno da segurança emocional, reinstala-se o velho hábito totalitário de calar dissidências. E quando discordâncias são tratadas como delitos, não demora para que dissidentes sejam tratados como inimigos a ser eliminados. Assim, o campus universitário – que deveria ser o berço do debate livre – converte-se, para muitos jovens, em um treinamento para a militância intransigente. Aprendem que opiniões contrárias não são apenas diferentes, mas imorais, “violentas” ou “perigosas”. Aprendem a reduzir pessoas a rótulos (fascista, machista, racista, transfóbico, etc.) e com isso desligar qualquer empatia por elas. Esse caldo de cultura acadêmico cria exatamente o que vimos nas seções anteriores: militantes convictos de sua superioridade moral, dispostos a aplaudir agressões ou mortes de quem identificam como opressores.
É importante frisar que esse fenômeno não se limita aos EUA. No Brasil e em outros países latino-americanos, a influência das teorias marxistas e pós-modernas também se faz sentir no meio universitário e cultural. Professores com viés revolucionário transmitem a gerações de alunos a ideia de que toda oposição à esquerda é não apenas errada, mas maligna. O efeito a longo prazo é a desumanização do pensamento divergente: em vez de um adversário legítimo, o portador de ideias conservadoras é visto como alguém indigno de voz e talvez indigno de existir politicamente. Esse deslocamento do debate para o terreno da moral absoluta (bem contra mal) é típico de discursos revolucionários desde Lenin – e infelizmente tem seus ecos sutis na retórica acadêmica atual. Rossiter nota que o antagonismo da esquerda radical se estende até contra as bases judaico-cristãs da civilização, por estas imporem limites morais transcendentes à ação humana. Ao rejeitar religião e tradição, adotando em seu lugar uma quase-religião política, setores universitários de esquerda acabam por legitimar apenas a sua própria moral utilitarista – onde vale o que serve à causa, e o que atrapalha deve ser destruído. Nesse ambiente, não surpreende que virtudes clássicas como perdão, humildade, respeito à vida e à dignidade intrínseca de cada pessoa sejam descartadas como “ingenuidade burguesa” ou “moralismo repressivo”. Em seu lugar vigora a moral revolucionária: “aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei (ou a morte)”. Em suma, as universidades – capturadas pelo discurso identitário-marxista – tornaram-se incubadoras do ódio político puritano, onde jovens são ensinados a cancelar, calar e eliminar o adversário em nome do bem[TC].
Conclusão: Quando a Virtude se Transforma em Barbarismo
A partir dos elementos expostos, fica evidente como a chamada cultura da morte pode se enraizar na mentalidade esquerdista radical. O que começa com discursos de empatia seletiva (protegendo uns grupos enquanto demoniza outros) termina justificando a eliminação literal dos “inimigos do progresso”. Ao absolutizar sua visão de justiça, a esquerda radical relativiza o mais fundamental dos valores: a santidade da vida humana, inclusive a do oponente e a do indefeso. Essa mentalidade, conforme diagnosticada por Rossiter, não é apenas uma divergência política, mas um distúrbio ético-psicológico que corrompe a bússola moral do indivíduo e da sociedade.
Os casos reais – do aborto exaltado como direito inegociável, passando pela eutanásia celebrada como política humanitária, até as agressões e mortes de adversários recebidas com aplauso ou escárnio – mostram uma preocupante coerência: em todos eles, a morte deixa de ser um mal a evitar para se tornar um meio legitimado de ação política ou social. A mentalidade esquerdista radical, ao se sentir dona de uma superioridade moral utópica, arroga-se o poder de decidir quais vidas importam e quais são descartáveis. Esse é, em essência, o ponto em que a busca por igualdade e “libertação” descamba em tirania e violência – ponto em que a virtude professada se transforma em barbarismo praticado.
A história já testemunhou os frutos amargos desse caminho. Identificar e criticar a cultura da morte na esquerda atual não é demonizar todo um espectro político, mas alertar para os excessos de um radicalismo cego. Resgatar a primazia do respeito à vida, do debate civilizado e do reconhecimento da dignidade até do adversário são passos essenciais para imunizar nossa cultura contra os impulsos totalitários, venham eles de onde vierem. Afinal, uma sociedade verdadeiramente humana se mede não apenas pelos ideais que proclama, mas pelos limites morais que observa – especialmente quanto ao valor da vida e da convivência pacífica. Somente relembrando esses fundamentos poderemos evitar que a justiça social pretendida pelo esquerdismo se converta numa nova forma de injustiça letal. Em suma, faz-se necessário reafirmar: nenhuma utopia justifica homicídio, nenhum ideal político redime a celebração da morte. Essa é a linha divisória que separa a civilização da barbárie – uma linha que não podemos permitir que ideologia alguma apague.
Fontes: Rossiter, A Mente Esquerdista, 2006.; Gazeta do Povo[7][10]; Poder360[27]; The Guardian[21][29]; ISTOÉ[23]; The Commune Magazine[26][25].
[1] América Latina foi palco de protestos a favor da legalização do aborto
[2] [3] Uruguai avança na aprovação da eutanásia – Brasil de Fato
https://www.brasildefato.com.br/2025/08/14/uruguai-avanca-na-aprovacao-da-eutanasia
[7] [8] [9] Memória: militantes de esquerda debocham da morte de Major Olimpio
[10] [11] [14] [15] [16] [17] [18] [19] Miguel Uribe: a morte de um inimigo da esquerda
https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/paulo-briguet/miguel-uribe-a-morte-de-um-inimigo-da-esquerda
[12] [13] [27] [28] Políticos brasileiros lamentam morte de Miguel Uribe
[20] [21] [29] Europe’s far-right leaders attack ‘hate-mongering left’ after Charlie Kirk murder | Charlie Kirk shooting | The Guardian
[22] [23] [30] Trump diz que concederá medalha da liberdade a Charlie Kirk – ISTOÉ Independente
https://istoe.com.br/trump-diz-que-concedera-medalha-da-liberdade-a-charlie-kirk
[24] [25] [26] [55] [56] US Democracy In Danger: The Rising Threat Of Radical Left Terrorism In America – The Commune



